Crescimento das emissões reflete a busca de produtores e empresas do setor rural por alternativas de capital fora do sistema bancário tradicional, em um ciclo puxado pela consolidação regulatória e pela sofisticação das estruturas de garantia
O mercado de capitais brasileiro atravessa um dos ciclos mais expressivos de expansão do financiamento estruturado voltado ao agronegócio. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) mostra que as ofertas de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, somaram R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, avanço de 288,3% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O resultado consolida esses veículos, ao lado das Cédulas de Produto Rural (CPRs), como um dos instrumentos de maior dinamismo dentro do crédito privado direcionado ao setor rural.
A trajetória acompanha um movimento mais amplo de diversificação das fontes de financiamento do agronegócio brasileiro. Historicamente dependentes de linhas de crédito rural subsidiado e de operações bancárias tradicionais, produtores, tradings e indústrias do setor passaram a recorrer com maior frequência a estruturas de mercado de capitais para financiar plantio, armazenagem, industrialização e expansão da capacidade produtiva. Nesse contexto, a ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados ao agronegócio, dando suporte à governança e à conformidade regulatória dessas operações.
Fiagros e CPRs ampliam o leque de instrumentos disponíveis ao setor rural
Os Fiagros funcionam como veículos de investimento que permitem a captação de recursos junto a investidores institucionais e de varejo para aplicação em ativos financeiros e imobiliários ligados às cadeias do agronegócio. Já as CPRs representam um título de crédito por meio do qual o produtor rural se compromete a entregar determinado volume de produção, ou o equivalente em recursos financeiros, em uma data futura, funcionando como mecanismo de antecipação de receita para custear a safra.
A unificação regulatória promovida pela Resolução CVM 175 contribuiu para dar maior padronização e segurança jurídica a esses instrumentos, ao consolidar em um único arcabouço normativo as regras aplicáveis aos diferentes tipos de fundos de investimento, incluindo as classes voltadas ao setor agropecuário. A modernização do marco regulatório, somada ao interesse crescente de investidores por ativos com lastro na economia real, tem sustentado a aceleração das emissões observada nos últimos semestres.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a expansão do crédito estruturado no agronegócio reflete a maturidade alcançada pelo mercado de capitais brasileiro:
“O agronegócio sempre foi um dos pilares da economia real brasileira, mas por muito tempo dependeu quase exclusivamente do crédito bancário e de linhas oficiais. O crescimento dos Fiagros e das CPRs mostra que o mercado de capitais amadureceu o suficiente para oferecer soluções de financiamento sofisticadas, capazes de conectar diretamente investidores e produtores. Isso amplia a capacidade de capitalização do setor sem sobrecarregar o sistema bancário”.
Auditoria de lastro e governança sustentam a expansão do crédito rural estruturado
O crescimento acelerado desses instrumentos impõe exigências crescentes sobre os agentes responsáveis pela governança das operações. Estruturas lastreadas em recebíveis do agronegócio costumam envolver cadeias de originação pulverizadas, com múltiplos produtores, cooperativas e empresas de insumos participando de uma mesma operação. Garantir a rastreabilidade desses ativos, validar a veracidade dos lastros e acompanhar o cumprimento das obrigações contratuais tornou-se um trabalho técnico que exige infraestrutura tecnológica e processos de auditoria contínua.
A ID CTVM atua nesse processo por meio de sua estrutura de administração fiduciária e custódia qualificada, que inclui a checagem sistemática de garantias, o acompanhamento de covenants e a conciliação em tempo real das movimentações financeiras associadas aos fundos. A companhia, que soma mais de R$50 bilhões em ativos sob administração e custódia e reúne mais de 550 fundos ativos em sua carteira, tem ampliado sua atuação em operações ligadas ao agronegócio à medida que o setor ganha espaço dentro do universo de crédito estruturado.
A diversificação setorial também responde a uma mudança de perfil dos investidores. Gestoras especializadas em crédito privado e family offices passaram a alocar parcela relevante de seus portfólios em ativos agrícolas, atraídos pela previsibilidade dos fluxos de pagamento atrelados a ciclos de produção e pela correlação historicamente baixa desses ativos com outras classes de investimento. Esse apetite tende a se manter enquanto o cenário de juros favorecer a busca por rentabilidades reais em papéis privados com lastro tangível.
Perspectivas para o próximo ciclo de crescimento
Analistas do setor avaliam que a consolidação dos Fiagros e das CPRs como instrumentos permanentes de financiamento deve se aprofundar nos próximos anos, à medida que novas safras exigirem volumes crescentes de capital de giro e investimento em infraestrutura de armazenagem e logística. Para acompanhar esse ritmo, a expectativa é que administradores fiduciários e custodiantes independentes ampliem investimentos em tecnologia voltada à validação de garantias e à gestão de risco operacional.
A ID CTVM segue essa tendência ao integrar suas plataformas de auditoria de lastro e conciliação bancária ao ecossistema de portais que já atende gestoras, consultorias e emissores de outros segmentos do mercado de capitais. Com a diversificação das fontes de financiamento do agronegócio ganhando tração e a regulação avançando na direção de maior padronização, a combinação entre infraestrutura tecnológica e governança independente deve seguir como fator determinante para sustentar o crescimento saudável do crédito estruturado voltado ao setor rural brasileiro.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.










