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Projetos que equilibram função e identidade visual

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, expõe um problema recorrente em projetos de arquitetura e interiores: um espaço pode ser bonito em fotos e, ainda assim, falhar completamente no uso diário, quando a rotina de quem mora ali esbarra em decisões pensadas só para impressionar visualmente e não para durar no dia a dia.

O contrário também acontece com frequência: ambientes tecnicamente perfeitos, bem distribuídos e funcionais, mas sem nenhuma identidade, que poderiam pertencer a qualquer casa e não dizem nada sobre quem vive nela. O desafio real não é escolher entre função e estética, mas fazer as duas conversarem no mesmo projeto, desde a primeira linha desenhada na planta.

Por que separar função de identidade visual é um erro comum

Tratar estética e funcionalidade como etapas distintas do projeto, primeiro resolvendo a planta e só depois pensando na aparência, costuma gerar ambientes remendados, em que a decoração tenta disfarçar decisões técnicas já fechadas. Um corredor mal dimensionado, por exemplo, dificilmente vira um espaço interessante só com escolha de cor e iluminação, por melhor que seja o acabamento escolhido depois.

Quando função e identidade nascem juntas, desde o esboço inicial, cada decisão técnica já carrega intenção estética, e cada escolha visual respeita a lógica de uso do ambiente. Essa integração evita retrabalho e reduz a sensação de que o projeto foi costurado depois, em vez de pensado como um todo desde o início.

Como um conceito central orienta decisões técnicas e visuais?

Todo projeto bem-sucedido costuma ter uma ideia central que guia tanto a distribuição dos espaços quanto a escolha de materiais, cores e acabamentos. Sem esse fio condutor, cada ambiente da casa acaba resolvendo um problema isolado, sem diálogo com o restante do projeto, e o resultado final parece uma coleção de decisões avulsas.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza ressalta que esse conceito não precisa ser complexo: pode nascer de um material que a família goste, de uma rotina específica ou até de uma memória afetiva, desde que se traduza em critérios claros o suficiente para orientar cada escolha seguinte do projeto, da planta ao último detalhe de acabamento.

O que separa um projeto autoral de uma casa genérica?

Duas casas podem ter a mesma metragem, o mesmo número de cômodos e ainda assim parecerem completamente diferentes na experiência de quem mora nelas. A diferença geralmente está em decisões pequenas, como o tipo de luz usada em cada ambiente, a altura de uma bancada ou a forma como um corredor se conecta à sala, detalhes que raramente aparecem em um anúncio de imóvel.

Daugliesi Giacomasi Souza esclarece que esse tipo de identidade não depende de orçamento alto, mas de coerência. Repetir uma paleta de cores, um tipo de acabamento ou uma lógica de iluminação em toda a casa cria uma unidade que nenhum objeto de decoração isolado consegue criar sozinho, por mais bonito que seja individualmente.

Como avaliar se um projeto realmente equilibra as duas coisas?

Um bom teste para avaliar esse equilíbrio é imaginar a rotina real de quem vai usar o espaço, do café da manhã corrido ao fim de semana com visita, e verificar se a estética do ambiente continua fazendo sentido em cada um desses momentos, não só na foto do dia da entrega das chaves, quando tudo ainda está impecavelmente arrumado para o registro.

Daugliesi Giacomasi Souza pontua que um projeto capaz de resistir a esse teste, funcionando bem e mantendo personalidade mesmo fora do enquadramento perfeito de uma fotografia, é o que realmente equilibra função e identidade visual, e é justamente esse equilíbrio que faz um espaço envelhecer bem ao lado de quem o habita.