Assim como ressalta Felipe Rassi, a divergência de saldo costuma nascer quando a carteira tem “duas verdades” concorrentes, uma na planilha operacional e outra nos documentos do crédito. Nesse contexto, a cobrança perde eficiência porque a negociação vira disputa de premissas, não discussão de condições. Para reduzir esse ruído, vale tratar o saldo como produto de um encadeamento verificável, e não como número isolado.
Onde a divergência aparece primeiro e por que ela se repete
A divergência quase sempre aparece no primeiro questionamento do devedor: o valor cobrado não bate com o que ele tem registrado. Em paralelo, ela se repete internamente quando a equipe precisa conferir manualmente o histórico para responder, pois o dado “mais recente” da planilha não encontra suporte claro em memória de cálculo ou extratos. Conforme explica Felipe Rassi, o problema se agrava em carteiras volumosas porque uma falha pequena em regra de atualização ou em data-base se replica em centenas de casos.

Por outro lado, também há divergência quando bases diferentes usam critérios diferentes. Um sistema pode registrar juros por um padrão, enquanto a planilha consolida por outro, gerando variação que parece arbitrária. Portanto, antes de negociar em escala, é prudente identificar quais campos são “fonte” e quais campos são “derivados”, evitando que o time trate estimativa como saldo final.
Quatro pontos de checagem que costumam resolver a maior parte dos casos
De acordo com Felipe Rassi, quatro checagens simples eliminam boa parte das divergências recorrentes:
1 – A data-base do saldo: sem uma data explícita, o número perde sentido, pois não se sabe até quando foi atualizado.
2 – Registro de pagamentos e abatimentos: pagamentos parciais e descontos precisam aparecer com data e valor, pois omissões geram discrepância imediata.
3 – Parâmetros de atualização: juros, multa e correção devem estar alinhados ao contrato e ao período considerado, pois critérios implícitos viram ruído.
4 – Marcos de renegociação: acordos anteriores e aditivos alteram o caminho do cálculo, então precisam estar incorporados com indicação clara do que mudou e quando mudou.
Em paralelo, manter essas checagens como checklist de validação evita que a divergência seja “descoberta” apenas na cobrança. Consequentemente, o esforço deixa de ser reativo e se torna preventivo.
Como alinhar planilha e documentos sem travar a operação
O alinhamento costuma começar por definir uma fonte de verdade para cada elemento: documento para condição contratual, histórico para pagamentos, memória de cálculo para saldo e planilha para consolidação. Conforme indica Felipe Rassi, a planilha deve espelhar o que é demonstrável, não substituir o que precisa ser provado. Por isso, campos críticos precisam ter referência clara, seja por vínculo ao documento correspondente, seja por trilha de cálculo rastreável.
Por outro lado, tentar “corrigir tudo de uma vez” pode travar a operação. Portanto, faz sentido priorizar por materialidade: corrigir primeiro os grupos com maior volume, maior valor ou maior taxa de contestação. Em paralelo, relatórios de inconsistência por tipo de erro ajudam a atacar a causa, evitando correções repetidas caso a caso.
O que muda quando a carteira foi cedida
Em carteiras cedidas, a divergência de saldo pode ser amplificada por falta de padronização de anexos e por ausência de histórico completo. Segundo Felipe Rassi, o cuidado adicional é garantir correspondência entre o saldo do anexo, a data-base e a memória de cálculo que sustenta aquele número. Consequentemente, o risco de contestação diminui porque o titular consegue explicar o valor com base verificável, sem depender de reconstrução improvisada.
Por fim, Felipe Rassi conclui que reduzir a divergência entre planilha e documentos é uma tarefa de governança: definir fontes, explicitar data-base, incorporar pagamentos e renegociações e manter parâmetros alinhados ao contrato. Nesse sentido, quando o saldo é demonstrável, a cobrança tende a recuperar foco em condições de pagamento, com menos ruído e mais previsibilidade na recuperação de ativos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










