Cerca de 2 milhões de pessoas realizaram algum trabalho por meio de aplicativos ou plataformas digitais de serviços no Brasil durante o terceiro trimestre de 2025. O número considera tanto a atividade principal quanto ocupações secundárias e foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 4 de setembro de 2026, na nova edição do levantamento sobre trabalho por meio de plataformas digitais.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e ajudam a dimensionar uma forma de ocupação que está presente em áreas como transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços gerais ou profissionais. A pesquisa também busca mostrar como os aplicativos interferem na organização da jornada, na definição de valores e nas condições de execução das atividades.
Segundo o IBGE, o transporte de passageiros foi a modalidade mais frequente entre os trabalhadores que utilizaram plataformas digitais de serviços. Essa atividade reuniu aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% do total identificado pelo levantamento.
Transporte de passageiros lidera entre as atividades
O resultado inclui trabalhadores que utilizam aplicativos para transportar passageiros, independentemente de essa ser a principal fonte de ocupação ou uma atividade complementar. A inclusão do trabalho secundário amplia a leitura sobre o fenômeno, já que uma mesma pessoa pode manter outro emprego ou atividade e recorrer às plataformas para complementar a renda.
Além do transporte, o levantamento considera pessoas que atuam em aplicativos de entrega de comida e produtos. Também entram na análise trabalhadores que oferecem serviços gerais ou profissionais por meio de plataformas digitais. A pesquisa, portanto, não se limita a um único modelo de aplicativo nem a uma categoria específica de trabalhador.
Na edição referente a 2025, o IBGE também passou a observar aspectos como o uso de plataformas de comércio eletrônico, a quantidade de aplicativos utilizados, a frequência de acesso e os motivos que levam as pessoas a buscar esse tipo de ocupação. Esses recortes permitem compreender não apenas quantos trabalhadores estão conectados às plataformas, mas como essa relação se desenvolve no cotidiano.
Renda, jornada e proteção previdenciária
O estudo também aborda características relacionadas à jornada de trabalho, ao rendimento, à informalidade e à contribuição para a Previdência. Esses indicadores são relevantes porque o trabalho mediado por aplicativos pode apresentar formas diferentes de organização em comparação com ocupações tradicionais do setor privado.
Entre os pontos analisados está a relação de dependência dos trabalhadores com as plataformas. Os aplicativos podem participar da definição de valores, prazos e condições para a realização das atividades, enquanto os trabalhadores utilizam os sistemas para encontrar clientes, receber solicitações e acompanhar o serviço.
A comparação com os demais ocupados do setor privado ajuda a identificar diferenças no perfil profissional e nas condições de trabalho. O levantamento não trata apenas da presença da tecnologia, mas das consequências práticas de sua utilização sobre renda, tempo de trabalho e acesso à proteção social.
Pesquisa amplia o retrato da plataformização
A coleta de informações sobre trabalho por plataformas digitais faz parte do esforço do IBGE para acompanhar mudanças provocadas pela economia digital. A chamada plataformização altera a maneira como serviços são oferecidos, contratados e distribuídos, aproximando consumidores e trabalhadores por meio de sistemas digitais.
De acordo com o comunicado publicado pelo portal do IBGE, a edição de 2025 incorporou novos elementos ao levantamento, entre eles o trabalho secundário e diferentes formas de uso das plataformas. A ampliação permite uma observação mais abrangente das ocupações realizadas por aplicativos no país.
Os resultados têm impacto direto em debates sobre mobilidade urbana, entregas, renda familiar, relações de trabalho e proteção previdenciária. Também oferecem informações para empresas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas que acompanham a transformação do mercado de trabalho brasileiro.
O levantamento tem abrangência nacional e apresenta informações organizadas por Grandes Regiões. A divulgação consultada não permite, neste texto, afirmar um número específico para a Paraíba. Por isso, o dado nacional é o recorte principal: aproximadamente 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de plataformas digitais no período analisado, com predominância do transporte de passageiros.










