Tecnologia

IA do TCE-PB: como a nova ferramenta Seixas pode mudar o uso da tecnologia na gestão pública da Paraíba

Ferramenta criada com a UFCG usa inteligência artificial para consultar documentos, cruzar informações e apoiar análises do Tribunal de Contas.

A inteligência artificial ganhou mais um espaço de aplicação prática na Paraíba e, desta vez, dentro de uma instituição diretamente ligada à fiscalização dos recursos públicos. O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) anunciou nesta semana o “Seixas”, uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A novidade foi apresentada como um sistema de apoio ao trabalho técnico do Tribunal, com capacidade de consultar documentos em linguagem natural, localizar informações e cruzar dados de processos. O lançamento oficial está previsto para 16 de setembro, durante uma sessão do Pleno do TCE-PB. Para o paraibano, a principal dúvida é o que uma tecnologia desse tipo realmente pode mudar na prática e se ela terá impacto sobre a fiscalização das prefeituras e do Governo do Estado. A resposta passa pela possibilidade de tornar a análise de grandes volumes de documentos mais rápida, sem retirar dos servidores a responsabilidade pelas decisões.

O que é a IA Seixas e como ela será usada pelo TCE-PB

O Seixas foi desenvolvido para funcionar como uma ferramenta de assistência técnica aos servidores do TCE-PB, e não como um sistema que toma decisões sozinho. De acordo com o Tribunal, a primeira fase do projeto terá como destaque o chamado Chat de Documentos, permitindo que o usuário faça perguntas diretamente sobre documentos processuais utilizando linguagem natural. Em vez de depender exclusivamente de buscas tradicionais por termos específicos, o servidor poderá formular uma pergunta e receber uma resposta fundamentada, acompanhada da indicação das fontes e dos trechos consultados. A ferramenta também terá recursos para busca integrada de jurisprudência e localização de processos a partir de descrições de possíveis irregularidades. A proposta é facilitar o trabalho diante de grandes conjuntos de informações que precisam ser examinadas durante atividades de controle externo. O TCE-PB informa ainda que uma segunda etapa deverá incluir um Gerador de Minutas, destinado a auxiliar na elaboração de relatórios e documentos técnicos. (TCE PB)

Um ponto importante para entender a novidade é que a inteligência artificial não substitui a análise dos profissionais do Tribunal. Segundo o TCE-PB, a decisão final permanece sob responsabilidade do corpo técnico, enquanto a tecnologia atua como suporte para localizar, compreender e cruzar informações. Essa separação é relevante porque processos de fiscalização podem envolver documentos administrativos, dados financeiros, decisões anteriores e diferentes elementos que precisam ser avaliados dentro de um contexto. Ao automatizar parte da busca e da organização dessas informações, a expectativa é reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e permitir que os servidores concentrem mais atenção na análise técnica. A ferramenta também foi coordenada pela Diretoria de Tecnologia do Tribunal e surgiu de uma parceria com a UFCG, reforçando a ligação entre a produção acadêmica de Campina Grande e a modernização do serviço público estadual. Na prática, o projeto coloca a Paraíba entre os locais onde a IA começa a ser aplicada de maneira mais específica em atividades de controle e fiscalização pública. (TCE PB)

Por que a tecnologia pode fazer diferença para o dinheiro público na Paraíba

Para quem mora na Paraíba, o interesse pelo Seixas não está apenas na tecnologia em si, mas no possível efeito sobre a fiscalização de recursos públicos. O TCE-PB acompanha contas e atos de municípios e órgãos públicos, o que significa que melhorias na capacidade de análise podem ter reflexos sobre diferentes áreas da administração. Uma ferramenta capaz de encontrar rapidamente informações em documentos pode ajudar a identificar relações entre dados, localizar decisões anteriores e direcionar a atenção dos técnicos para pontos que exigem investigação mais detalhada. Isso não significa que a IA vá apontar automaticamente que determinado gestor cometeu uma irregularidade, porque essa avaliação continua dependendo da análise humana e dos procedimentos do Tribunal. O ganho esperado está principalmente na velocidade e na organização do trabalho. Em um estado com 223 municípios, a possibilidade de utilizar tecnologia para lidar com grandes volumes de documentos representa uma frente relevante de modernização da administração pública e da fiscalização. (Portal IFPB)

A escolha do nome Seixas também mostra como a inovação foi associada à identidade paraibana. Segundo o TCE-PB, a denominação faz referência à Praia do Seixas, em João Pessoa, enquanto a identidade visual da ferramenta utiliza elementos relacionados ao farol e ao sisal, produto que teve importância histórica na economia do estado. A ideia é aproximar uma tecnologia sofisticada de símbolos conhecidos pelos paraibanos, criando uma ferramenta com identidade local. Essa conexão ganha ainda mais relevância porque a tecnologia foi desenvolvida em parceria com a UFCG, instituição sediada em Campina Grande e integrante de um dos principais polos tecnológicos do estado. O movimento ocorre em um momento de expansão de iniciativas de inovação na Paraíba, com universidades, institutos federais e instituições públicas ampliando projetos ligados à inteligência artificial, programação e transformação digital. No IFPB, por exemplo, um novo laboratório do Programa Residência em Games foi inaugurado em Campina Grande com estrutura para programação, modelagem 3D, inteligência artificial, realidade virtual e produção multimídia. (TCE PB)

O que o avanço da IA representa para João Pessoa, Campina Grande e outras cidades

O caso do Seixas ajuda a mostrar que a inteligência artificial já deixou de ser um assunto restrito às grandes empresas de tecnologia. Na Paraíba, a aplicação começa a aparecer em instituições públicas, universidades, centros de pesquisa e iniciativas voltadas à formação profissional. Em Campina Grande, o laboratório do Programa Residência em Games inaugurado pelo IFPB passou a oferecer estrutura para atividades relacionadas a desenvolvimento de jogos, programação, modelagem 3D, inteligência artificial e realidade virtual e aumentada. O programa reúne estudantes de diferentes campi e prevê a implantação de outros laboratórios no estado, incluindo unidades em Guarabira, Monteiro, Esperança e Cajazeiras. A iniciativa mostra uma outra dimensão do avanço tecnológico: além de utilizar ferramentas digitais, a Paraíba busca formar pessoas capazes de desenvolver soluções próprias. Para estudantes e profissionais, isso pode ampliar oportunidades em áreas que exigem conhecimentos de programação, dados, automação e inteligência artificial. (Portal IFPB)

Em João Pessoa, a inovação também aparece em setores econômicos tradicionais. A 18ª Feira Paraibana da Beleza, organizada pelo Sebrae/PB e marcada para 13 a 15 de setembro no Centro de Convenções, terá equipamentos de análise facial com inteligência artificial, além de programação voltada à capacitação, marketing, vendas e tecnologia. O evento reúne mais de 150 marcas nacionais e internacionais e mostra como recursos digitais estão chegando a pequenos negócios e serviços que fazem parte do cotidiano da população. Para o empreendedor paraibano, isso significa que tecnologia não precisa estar associada apenas a startups ou empresas de software: ela também pode ser usada para melhorar atendimento, diagnóstico, gestão, divulgação e produtividade. A expansão dessas iniciativas em diferentes regiões ajuda a construir um ecossistema mais amplo de inovação, conectando educação, setor produtivo e instituições públicas. (ASN Paraíba – Agência Sebrae de Notícias)

O avanço da inteligência artificial na Paraíba, portanto, deve ser observado menos como uma novidade passageira e mais como uma mudança na forma de trabalhar com informação. O Seixas ainda está em fase inicial e seu lançamento oficial ocorrerá em setembro, por isso os resultados concretos sobre produtividade e fiscalização precisarão ser acompanhados ao longo do tempo. Mesmo assim, a iniciativa já demonstra que tecnologias de linguagem natural e análise de documentos podem encontrar aplicações específicas dentro do poder público. Para o cidadão, o ponto principal é acompanhar se essa modernização conseguirá transformar tecnologia em mais eficiência, transparência e qualidade na fiscalização dos recursos. E, para a Paraíba, a parceria entre TCE-PB e UFCG reforça uma característica que vem ganhando força no estado: conhecimento produzido localmente também pode gerar soluções para desafios concretos da administração pública.

Fontes utilizadas: TCE-PB — lançamento da IA Seixas · IFPB — Laboratório do Programa Residência em Games em Campina Grande · Agência Sebrae de Notícias — tecnologia na Feira Paraibana da Beleza