Estado destina recursos para mais de 200 empresas em cidades do interior e da capital, consolidando um ecossistema de startups que pode redefinir o perfil econômico paraibano
Quando se fala em inovação no Brasil, os olhares costumam se voltar para São Paulo, Rio de Janeiro ou Florianópolis. Mas há um estado no Nordeste que vem acumulando evidências de uma transformação silenciosa e consistente: a Paraíba. Nos últimos anos, o governo estadual, universidades federais e instituições de fomento construíram uma estrutura de suporte ao empreendedorismo tecnológico que hoje se reflete em números concretos, em empresas funcionando e em jovens pesquisadores que optaram por ficar no estado para empreender. O movimento ganhou novo impulso neste junho de 2026, quando o governo paraibano divulgou um balanço expressivo de suas políticas de inovação.
O dado central chama a atenção pelo volume e pela abrangência. Ao todo, são R$ 44 milhões destinados ao empreendedorismo inovador na Paraíba, com mais de 200 empresas contempladas, cerca de R$ 25 milhões já aplicados e previsão de outros R$ 19 milhões em novos aportes. O que diferencia esse investimento de outros programas semelhantes é a diversidade geográfica: os recursos não ficaram represados nas capitais, mas chegaram a municípios como Cajazeiras, Guarabira, Queimadas, Serra Branca e Poço de José de Moura, além de João Pessoa e Campina Grande. FAPESQ
O que esse investimento cobre e quem está sendo beneficiado
A abrangência temática dos projetos apoiados é tão ampla quanto a geográfica. As áreas contempladas incluem tecnologia da informação, saúde, biotecnologia, agronegócio, energias renováveis, economia criativa e tecnologias sociais, o que contribui para a descentralização do ecossistema inovador. Essa diversidade é relevante porque evita o erro comum de concentrar todo o esforço em um único segmento e garante que os benefícios do ecossistema cheguem a setores tradicionais da economia paraibana, como o agronegócio do Sertão ou a biotecnologia ligada à biodiversidade do Semiárido. FAPESQ
Parte fundamental dessa estrutura é o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, inaugurado em dezembro de 2025 em João Pessoa. O espaço funciona como ponto de convergência entre empreendedores, mentores, institutos de pesquisa e investidores, e já no início de 2026 estava articulando startups paraibanas com programas nacionais de aceleração. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) também aparece como peça fundamental desse ecossistema: a UFCG registrou 101 pedidos de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 2023, 60 a mais do que no ano anterior, reforçando sua posição de vanguarda em pesquisa aplicada no Nordeste. Governo da Paraíba
A Fetech volta depois de nove anos e sinaliza retomada
Um evento que deve ampliar ainda mais a visibilidade da Paraíba como polo de inovação é a retomada da Feira de Tecnologia de Campina Grande. Após nove anos de hiato, a 15ª edição da Fetech foi lançada em parceria entre a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, o Governo do Estado e o Sebrae-PB, com o tema “Inteligência artificial, inovação e sustentabilidade”. A feira ocorrerá de 7 a 12 de julho, no Centro de Convenções de Campina Grande, com investimentos de cerca de R$ 3,5 milhões. A escolha do tema não é casual: a inteligência artificial é hoje o ponto de convergência de toda a agenda de inovação global, e a Paraíba quer garantir que seus jovens empreendedores e pesquisadores estejam nessa conversa. A União
A Fetech tem um significado histórico particular para Campina Grande. A cidade é, desde os anos 1960, um polo tecnológico que se construiu a duras penas, com doações da comunidade e muito investimento público em educação técnica e superior. Retomar a feira após quase uma década de ausência é, antes de tudo, um sinal de que o ecossistema local tem fôlego suficiente para preencher novamente esse espaço. A presença do Sebrae como parceiro garante que o evento não se restrinja ao ambiente acadêmico, mas dialogue diretamente com micro e pequenas empresas que querem adotar tecnologia como alavanca de crescimento.
Por que isso importa para o Brasil
O que está acontecendo na Paraíba importa para além das fronteiras do estado por um motivo simples: o modelo que está sendo construído aqui desafia a lógica de concentração dos investimentos em inovação nos grandes centros urbanos do Sudeste. A diversidade geográfica dos recursos aplicados, alcançando municípios de diferentes regiões paraibanas, é acompanhada por uma variedade de áreas atendidas que integra desde tecnologia da informação até energias renováveis e economias criativas. Esse desenho plural é, justamente, o que diferencia a estratégia paraibana de uma política de vitrine e a aproxima de um programa de desenvolvimento estrutural. FAPESQ
Com a Fetech em julho, o Centro de Computação Quântica previsto para entrar em operação ainda em 2026 e um fundo de inovação de R$ 44 milhões em execução, a Paraíba entra no segundo semestre com uma agenda de CT&I que poucos estados brasileiros conseguem apresentar com essa coerência. O desafio que permanece é transformar esses investimentos em startups que sobrevivam ao mercado, em empregos qualificados que não migrem para outros estados e em um ecossistema que se sustente mesmo quando os recursos públicos diminuírem.
Fonte: FAPESQ Paraíba | Governo da Paraíba | A União










