Tecnologia

Paraíba vai sediar os dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil e mira liderança global

Com investimento de R$ 200 milhões e parceria federal, o CIQUANTA-PB posiciona João Pessoa como referência em uma das tecnologias mais estratégicas do século XXI

Existe um momento em que um estado para de apenas acompanhar o futuro e começa a construí-lo. Para a Paraíba, esse momento chegou com um anúncio que surpreendeu até os mais otimistas do ecossistema científico nacional: o estado será sede do Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba, o CIQUANTA-PB, que abrigará os dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil. A iniciativa coloca João Pessoa em uma posição que nenhuma outra cidade brasileira ocupa neste momento, competindo não com outros estados, mas com centros de pesquisa de países desenvolvidos que levaram décadas e bilhões de dólares para chegar onde chegaram.

A dimensão financeira do projeto já diz muito sobre seu peso estratégico. O CIQUANTA-PB contará com aproximadamente R$ 200 milhões em recursos, sendo R$ 140 milhões do Governo da Paraíba e R$ 60 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e terá os dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil, com capacidades de 20 e 100 qubits. Esses números colocam a iniciativa no patamar dos grandes projetos de infraestrutura científica do país, comparável à construção de institutos nacionais de pesquisa e laboratórios de física nuclear. ConvergenciaDigital

Como funciona a computação quântica e por que isso muda tudo

Para entender o que o CIQUANTA-PB representa, é preciso entender por que a computação quântica importa tanto. Enquanto os computadores tradicionais processam informações em bits, que assumem valor 0 ou 1, os computadores quânticos operam com qubits, que podem assumir múltiplos estados simultaneamente por meio de um fenômeno chamado superposição. Isso permite resolver problemas computacionalmente intratáveis para os sistemas convencionais, com aplicações que vão de simulações moleculares para desenvolvimento de medicamentos à criptografia de nova geração, passando por modelagem climática e otimização de cadeias logísticas.

O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, Cláudio Furtado, destacou que a aposta vai além da operação dos equipamentos. A grande novidade é o interesse em avançar para a fabricação dos chips quânticos, o que elevaria o estado a outro patamar, porque não se trata apenas da tecnologia do computador quântico, mas da capacidade de desenvolver componentes estratégicos em uma área que hoje é objeto de disputa tecnológica mundial. Produzir os componentes internamente, e não apenas importá-los, é a diferença entre ser um usuário da tecnologia e ser um protagonista da cadeia produtiva global. ConvergenciaDigital

Formação de talentos como coluna vertebral do projeto

Um centro de computação quântica sem pesquisadores qualificados para operá-lo seria um elefante branco. A Paraíba entende isso e construiu uma estratégia de formação humana robusta ao redor do CIQUANTA-PB. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou em João Pessoa o Projeto Residência em Tecnologias Quânticas, com investimento estimado em R$ 20 milhões ao longo de 36 meses, 156 bolsas e capacitação estimada para aproximadamente 500 estudantes, pesquisadores e profissionais em áreas como computação quântica, microeletrônica, semicondutores e aplicações avançadas. As atividades serão desenvolvidas em João Pessoa e Campina Grande, o que garante que ambos os polos universitários do estado estejam integrados ao programa. ConvergenciaDigital

A estrutura de formação abrange todos os níveis acadêmicos. Segundo Cláudio Furtado, o centro contará com capacitações que vão do doutorado e pós-doutorado até cursos técnicos de nível tecnólogo, além de cinco auditórios para formação presencial e cursos a distância. Esse alcance multinivelado é fundamental para garantir que o projeto não se restrinja à elite acadêmica, mas forme uma base ampla de profissionais qualificados que possam trabalhar tanto na pesquisa quanto na aplicação industrial da tecnologia quântica.

A Paraíba na disputa tecnológica do século XXI

O contexto internacional em que o CIQUANTA-PB nasce é de uma corrida tecnológica intensa. Estados Unidos, China, União Europeia e países como Canadá e Austrália investem bilhões de dólares anuais em computação quântica, reconhecendo que quem dominar essa tecnologia nos próximos anos terá vantagens significativas em segurança nacional, saúde, finanças e comunicações. A ministra Luciana Santos destacou que o projeto representa um investimento estratégico na autonomia tecnológica brasileira e na construção de uma nova geração de empresas intensivas em conhecimento. Essa linguagem de soberania tecnológica é nova no vocabulário da política pública brasileira e sinaliza uma virada de mentalidade sobre o papel do estado no desenvolvimento científico. ConvergenciaDigital

Para a Paraíba especificamente, o projeto representa uma continuidade de uma tradição que remonta às décadas de 1960 e 1970, quando Campina Grande se tornou referência nacional em computação ao adquirir os primeiros computadores do Brasil. Agora, a fronteira se ampliou: não se trata mais de operar a tecnologia do presente, mas de construir a infraestrutura científica do futuro. Com a concretização do CIQUANTA-PB, a Paraíba se posiciona na vanguarda das novas fronteiras tecnológicas, integrando ciência, inovação e desenvolvimento econômico em um projeto que pode redefinir o papel do estado no cenário nacional e internacional. O futuro, ao que tudo indica, está sendo construído às margens do Rio Sanhauá. Paraibabusiness

Fonte: Convergência Digital | Paraíba Business | Governo da Paraíba