O presídio do Róger, localizado em João Pessoa, capital da Paraíba, volta a chamar atenção nacional com a transferência de dois detentos envolvidos em um caso de grande repercussão. A unidade, oficialmente chamada de Penitenciária Desembargador Flóscolo da Nóbrega, é um dos estabelecimentos prisionais mais conhecidos da região e, apesar da relevância que possui no sistema carcerário paraibano, enfrenta problemas recorrentes ligados à superlotação e à precariedade de sua infraestrutura. Essa realidade desafia diariamente as tentativas de ressocialização dos presos e a atuação dos profissionais da segurança pública.
Com uma estrutura composta por oito pavilhões, o presídio do Róger abriga atualmente cerca de 890 presos, número que ultrapassa em quase 30% sua capacidade oficial, que é de 700 detentos. Essa superlotação não apenas compromete a qualidade de vida dos custodiados, mas também impõe dificuldades operacionais à equipe penitenciária. A falta de espaço adequado e o acúmulo de funções entre os agentes dificultam o cumprimento pleno dos direitos básicos dos internos, o que inclui o acesso à saúde, educação e assistência jurídica.
O presídio do Róger também se destaca por ser a principal unidade prisional de João Pessoa destinada à custódia de presos provisórios do sexo masculino. Dentro de seus muros, uma das iniciativas mais relevantes nos últimos anos foi a criação de uma cela específica para atender à população LGBT privada de liberdade. Essa medida tem como objetivo oferecer maior segurança a esse grupo, que frequentemente é alvo de violência ou exclusão dentro do sistema carcerário brasileiro. Apesar disso, ainda há um longo caminho a ser percorrido para garantir dignidade e tratamento equitativo a todos os detentos.
A rotina no presídio do Róger é marcada por desafios que vão além da lotação excessiva. Inspeções realizadas por órgãos de fiscalização como o Ministério Público apontaram falhas estruturais sérias, como a precariedade do consultório médico, a carência de medicamentos e problemas nos equipamentos de segurança, como extintores de incêndio desatualizados. Embora reformas pontuais tenham sido iniciadas, como a construção de novas celas e a instalação de sistemas de iluminação com lâmpadas de LED, os avanços ainda são insuficientes para reverter décadas de abandono.
O presídio do Róger volta a ser centro de atenção em um momento em que a segurança institucional e a transparência no sistema penitenciário estão em debate em todo o país. A transferência de presos de grande notoriedade reacende discussões sobre o preparo das unidades prisionais para lidar com casos de repercussão e aumenta a pressão sobre a gestão penitenciária local. Nesse contexto, é fundamental que o foco vá além da custódia e considere também a reinserção social e o respeito aos direitos humanos, pilares fundamentais de qualquer política penal efetiva.
Apesar de ser alvo de críticas constantes, o presídio do Róger tem tentado manter uma postura de adaptação às exigências da Justiça. A implementação de salas para audiências virtuais, por exemplo, é um passo relevante rumo à modernização do sistema e à redução dos custos com deslocamentos. No entanto, a eficiência desses avanços depende de continuidade, investimentos permanentes e, principalmente, de um olhar mais estratégico sobre o papel do sistema prisional no combate à criminalidade.
A população carcerária do presídio do Róger inclui indivíduos em diferentes estágios do processo judicial, o que exige um trabalho técnico de classificação e acompanhamento. A ausência de recursos humanos suficientes e de programas de reabilitação coloca em xeque a possibilidade real de recuperação de grande parte dos detentos. Ao mesmo tempo, o acúmulo de presos provisórios, em muitos casos ainda sem julgamento, evidencia o colapso do sistema judiciário e a urgência de soluções mais ágeis e justas.
O futuro do presídio do Róger depende de decisões que vão além de reformas físicas. É preciso pensar em políticas públicas que valorizem a prevenção da criminalidade, invistam em educação e promovam alternativas penais eficazes. Enquanto isso não acontece, a unidade segue como retrato de um sistema sobrecarregado, marcado por escassez de recursos e ausência de diretrizes de longo prazo. A transferência de novos presos apenas acentua um problema que já estava evidente: a sobrecarga de uma estrutura que precisa, urgentemente, de uma transformação profunda.
Autor: Vlasov Gogh