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Os aterros sanitários podem ser sustentáveis? Confira neste artigo

Felipe Schroeder dos Anjos
Felipe Schroeder dos Anjos

Segundo o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, os aterros sanitários podem ser parte de uma gestão ambiental mais eficiente quando deixam de ser vistos apenas como destino final. Isto posto, essa estrutura precisa funcionar com controle técnico, planejamento operacional e integração com soluções que reduzam a quantidade de rejeitos enviados ao solo.

Aliás, a sustentabilidade, nesse contexto, não significa transformar o aterro em uma solução única. Significa operar com menor impacto, maior segurança ambiental e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. O que envolve impermeabilização adequada, tratamento de chorume, captação de gases, monitoramento contínuo e conexão com reciclagem, compostagem e educação ambiental. 

Interessado em saber mais sobre? Acompanhe, a seguir.

O que torna os aterros sanitários mais sustentáveis?

A sustentabilidade dos aterros sanitários começa antes da disposição dos resíduos, conforme apresenta Felipe Schroeder dos Anjos, a escolha da área, o projeto de engenharia, a drenagem interna, a proteção do solo e o controle da água são fatores decisivos para evitar contaminações. Quando esses pontos falham, o aterro perde eficiência e passa a representar risco ambiental.

Tendo isso em vista, um aterro tecnicamente bem conduzido não depende apenas da obra inicial. A operação diária define grande parte do desempenho ambiental. A compactação correta dos resíduos, a cobertura periódica, o controle de acesso e a organização das células reduzem odores, vetores, instabilidades e emissões desnecessárias.

Além disso, a sustentabilidade exige visão sistêmica, conforme frisa o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos. O aterro deve receber principalmente rejeitos, não materiais recicláveis ou orgânicos que poderiam seguir para rotas mais adequadas. Assim, sua vida útil aumenta e o município reduz custos com novas áreas, transporte e correção de impactos ambientais.

Quais boas práticas reduzem impactos ambientais?

A operação eficiente dos aterros sanitários depende de procedimentos claros e fiscalização constante. Ou seja, não basta enterrar resíduos de maneira controlada. É necessário acompanhar o comportamento do solo, da água, dos gases e da massa aterrada ao longo do tempo, pois o impacto ambiental pode surgir de falhas acumuladas. Isto posto, as seguintes práticas tornam o aterro mais seguro e previsível:

  • Impermeabilização do solo: impede que líquidos contaminantes atinjam águas subterrâneas.
  • Tratamento de chorume: reduz a carga poluidora antes do descarte ou reaproveitamento controlado.
  • Drenagem de águas pluviais: evita excesso de líquido nas células e diminui riscos operacionais.
  • Cobertura dos resíduos: controla odores, presença de animais e dispersão de materiais leves.
  • Monitoramento ambiental: identifica alterações em gases, águas e solo antes que o problema avance.
Felipe Schroeder dos Anjos
Felipe Schroeder dos Anjos

Essas medidas não tornam os aterros sanitários livres de impacto, mas reduzem riscos de maneira significativa. Por isso, a sustentabilidade depende menos de discurso e mais de rotina técnica; cada procedimento precisa funcionar todos os dias, com registro, manutenção e correção rápida de falhas, comenta Felipe Schroeder dos Anjos.

Como o biogás pode gerar valor nos aterros sanitários?

A decomposição dos resíduos orgânicos gera biogás, composto principalmente por metano e dióxido de carbono. Quando não é captado, o metano amplia impactos climáticos e pode provocar riscos operacionais. Por outro lado, quando há captação adequada, esse gás pode ser queimado de forma controlada ou usado para geração de energia.

Nesse ponto, os aterros sanitários ganham uma função estratégica. De acordo com Felipe Schroeder dos Anjos, engenheiro ambiental, o aproveitamento energético do biogás transforma um passivo ambiental em recurso. A energia gerada pode abastecer sistemas locais, reduzir emissões e melhorar a viabilidade econômica da operação. No entanto, esse potencial depende de volume, tecnologia e gestão contínua.

O biogás não deve justificar o envio excessivo de resíduos orgânicos para aterros. A prioridade continua sendo reduzir, separar e tratar melhor os materiais antes da disposição final. Portanto, o aproveitamento energético deve funcionar como medida complementar, não como desculpa para abandonar reciclagem e compostagem.

Por que a integração com reciclagem é indispensável?

Os aterros sanitários não podem operar isolados, eles precisam fazer parte de uma cadeia que começa na separação dos resíduos na origem, pois, como explica Felipe Schroeder dos Anjos, quando materiais recicláveis chegam misturados ao rejeito, perdem valor, contaminam outros materiais e aumentam o volume aterrado sem necessidade.

Desse modo, a integração com cooperativas, centrais de triagem e programas de coleta seletiva melhora todo o sistema. Ou seja, a eficiência ambiental depende da combinação entre infraestrutura e comportamento social. Mesmo o aterro mais moderno terá desempenho limitado se a coleta for desorganizada e se a população não separar corretamente os resíduos.

A sustentabilidade depende de uma gestão contínua

Em conclusão, a discussão sobre aterros sanitários sustentáveis exige equilíbrio. Eles não representam o modelo ideal de economia circular, mas continuam necessários para os rejeitos que não podem ser reaproveitados. A diferença está na qualidade da operação, no controle ambiental e na capacidade de integrar o aterro a soluções mais amplas. Assim sendo, o futuro da gestão de resíduos não está em ampliar indefinidamente áreas de disposição final. Está em reduzir perdas, recuperar materiais, aproveitar energia e operar estruturas com responsabilidade técnica.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez